São duas horas e trinta e nove minutos, neste exacto momento, momento em que escrevo, momento em que penso, momento em que minto, se levarmos o momento à sua dimensão momentânea.
São duas horas e quarenta e um minutos, neste momento, deste tempo dimensionado, neste tempo inabalável, nesta dimensão que me absorve e vai deixando as cinzas do passado, por vezes, quando existe fogo no presente e pressentimento de oxigénio a queimar num futuro qualquer que se aproxima.
Está sentado nesta cadeira que aguenta com o peso que tenho, ou estou sentado nesta cadeira, quando estou em mim, e escrevo, e leio as palavras que vão aparecendo neste cubo luminoso.
Sou eu, estou eu, neste espaço que sou, que sinto, que me envolve e que eu mesmo envolvo. Estou eu, sou eu, neste tempo, que não espera, que dita as regras do Agora, um, dois, três, ou dois, quatro, seis, ou outra qualquer velocidade que na verdade também sou eu.
Confuso, não.
São duas horas e quarenta e oito minutos da manhã, estou sentado neste cadeira, aqui, a escrever, não quero responder a perguntas, nem sequer quero perguntar pelas respostas. Mas tenho duvidas, como todos, calculo, e só o facto de calcular já é demonstrativo da veracidade da questão.
O Tempo, O Espaço, A Identidade e A Duvida. A Criação como consequência da Ideia, a constante da equação.
Crescemos de varias maneiras mas uma delas consiste em sentir as dimensões tempo e espaço passarem por nós e deixarem marcas, Memórias.