quarta-feira, março 17

o fim da raça

Quanto ao jantar, é ideia melhor que caldo knorr. Talvez devêssemos dar mais algum tempo, para a coisa se definir um pouco melhor, para juntarmos mais “achas” que sou friorento e porque estou na iminência de ser pai duas vezes.


(Então a Joana-prima cita o amigo-Luís e o este pobre inocente é que é atacado?! O Bloco de Esquerda é que, recentemente, adoptou a teoria de que quando um homem diz ou escreve algo, independentemente do contexto, idade ou preferências sexuais, é essa a sua opinião pró resto da vida, independentemente do novo contexto, da velha idade ou da mesma preferência sexual. Bom, mas no nosso caso, o pobre mantém o que disse, independentemente de ter sido dito noutro lugar, com poucos anos de diferença e sem congeminações sexuais. E não precisas de te explicar pois sabemos que és rapaz sério e de boas famílias)


Quanto ao tema dos dias onze, custa-me pensar e escrever sobre ele. Pensar, pois pensar que a maior parte do mal que se faz tem origem numa muito pequena percentagem de seres, seres que não sabem o que é a fome, pensar nisso rouba-me a lucidez. Escrever, pois as minhas palavras serão frívolas perante o real sofrimento.

Não vejo assim tanta diferença entre os dois atentados terroristas. O 11 de Setembro foi simbolicamente mais dirigido e o número de vítimas maior. Mas em ambos, o sujeito foram as vidas de inocentes, de civis. E em Madrid, como em qualquer outra parte do mundo, o alvo, o objectivo de um atentado não é a morte de pessoas como produto de um acto de demência aguda, assim como o rapto de um filho de milionário não é puro divertimento patológico. É um meio para atingir um fim. E ambos espalharam o medo por todos nós. E o medo, como diz o sábio, tapa os olhos e a razão.

Pergunta (exposta de forma politicamente correcta): Não existem métodos de lidar com os barões-dementes-terroristas que sejam mais directos, incisivos, cirúrgicos e eficazes, do que fazer a guerra? Acredito que sim, só não dão origem a negócios altamente lucrativos.

Pergunta número dois (pouco ou nada construtiva): Como vai a raça humana acabar, pela delapidação daquilo que a sustenta, a natureza, ou pela guerra generalizada entre os animais-homem? Com a vista curta que temos, vai ser por uma das duas.


Quanto à autoria deste massacre, tenho a ideia (que pode estar completamente errada) de que é costume da ETA reivindicar autoria dos seus actos. Ao contrário, a Alcaeda julgo nunca o ter feito directamente, ou se o fez foi muito tempo depois. Seguindo este raciocínio, seria esta segunda a assassina do passado dia 11.

Quanto à metáfora da humanidade a afundar-se, Luís, acho que deves um pedido de desculpa ao nosso sábio. E já que falamos dele, digo-te que é um gajo que vale bem a pena conhecer. Á confiança.