Engraçado que, se for contar quantas das minhas "achas" têm origem ou mencionam os meus pais, iria ter uma percentagem significativa. Ainda bem que eles não têm o costume de espreitar a lareira, pois iriam ficar babados por demais.
Por influência dessa paternidade, tenho um gosto, que provavelmente alguns de vós, se não todos, também partilham. O da fotografia. Tudo começou com as brincadeiras no quarto escuro, o da revelação a preto e branco. A luz vermelha, o cheiro do líquido-revelador, a sensação de poder manipular imagens. Mais recentemente, as tecnologias facilitaram o trabalho, aproximando essa arte do fotógrafo de fim-de-semana. Hoje, com uma máquina fotográfica, um tripé, um computador (que todos temos), uma boa impressora (que não é muito caro), o Adobe Photoshop e uns bons passeios de fim de tarde nas traseiras de nossa casa, podem fazer-se imagens lindíssimas. Mais ainda se tiverem um pai fanático por fotografia. Haviam de ver o monte de revistas, todas sublinhadas, anotadas e etiquetadas, que povoam a sua mesa-de-cabeceira.
Uma das questões mais interessantes é o tratamento pós-clique. Felizmente coisa do passado, julgava eu que uma fotografia é aquilo que fica na película, no momento do acto. Que naífe. Esse delicado momento é só o primeiro passo de três igualmente fundamentais processos. É que a Revelação não serve apenas para passar do negativo para o papel. É aqui que se faz A Fotografia. E por fim vem o Retoque. Antes usavam as mãos, pedaços de cartão, postos entre a lâmpada e o papel, tintas para os retoques finais. Hoje usa-se o computador. Mas a teoria, os fundamentos são os mesmos. Só varia o meio.
O Rolf Horn tem um “sítio” onde explica, de forma sucinta, as ideias-base. E mostra as duas fotos, a inicial (conforme está no negativo) e a final.