ainda encontrei pelo menos mais duas crónicas sobre o assunto... esta e esta... mas... independentemente de quem tem razão ou não... e se o voto deve ser branco, verde, vermelho, rosa, laranja, azul ou preto... e se o saramago gosta ou não do país... e de todas essas tretas... tinha a leve sensação de haver algo de errado no tom e na abordagem de todas estas crónicas... e agora que falo nisso em boa parte das crónicas que se escrevem por aí nos tempos que correm (se calhar ando a ler as crónicas erradas)... não sabia bem o que era... até ter encontrado a resposta no velho vinicius e no seu exercício da crónica:
"Num mundo doente a lutar pela saúde, o cronista não se pode comprazer em ser também ele um doente; em cair na vaguidão dos neurastenizados pelo sofrimento fisico; na falta de segurança e objetividade dos enfraquecidos por excessos de cama e carência de exercícios. Sua obrigação é ser leve, nunca vago; íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo d'água em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para a satisfação real dos que nela matam a sede.
Num momento em que o grande mal de grande parte do mundo é o entreguismo, a timidez e a franca covardia, o exercício da crônica reticente, da crônica vaga, da crônica temperamental, da crônica ególatra, da crônica à clef, da crônica da cartola – é um crime tão grande quanto o de se vender, em época de epidemia, um antibiótico adulterado. "
Se a democracia anda podre... também não andarão as crónicas que falam dela? quem espelha quem? Não dá a impressão que, independentemente do assunto a tratar, falta essa leveza, essa sensação de àgua fresca que torna a crónica uma fonte de inspiração em vez de um espelho de vaidades e partidarismos ortodoxos?
onde andas Esteves Cardoso?????