quarta-feira, maio 26

equador, de miguel sousa tavares

É um bom livro e um excelente trabalho histórico. E Miguel um bom contador de histórias e, como já era sabido, escreve bem. Mas não é um criativo, não é um poeta. Exagera por vezes na descrição e pormenorização e falta-lhe uma das coisas mais importantes desta arte, o humor e a ironia. E a saída escolhida para o argumento é, como diz um amigo, uma saída cobarde, uma não-saída. É para isso que se chama ao género 'romance histórico', para que a história possa ser contada para além dos factos, mais colorida, divertida.

(leitura não aconselhada do próximo parágrafo, para quem vai ler o livro)
É um final demasiado contraditório, talvez aberrante, pois destroi em poucas páginas duas personagens construídas em tantas. Ela, a mais bela e virtuosa de todas as mulheres, passa subitamente a leviana. Ele, homem inteligente e culto mas simples, troca a desonra pela vida. Será que foi isto que aconteceu na realidade? Só assim se poderia tentar (sem sucesso) justificar tão infeliz final.

discussão interessante sobre o livro em:
historiaeciencia.weblog.com.pt