por Jorge Amado
Saddam não agüentava mais as provocações de Condoleeza. A mulher do Coronel Bush todo dia arrumava uma desculpa para aparecer no armarinho. Sempre com a saia curta e o decote menor ainda. Falava do marasmo de viver na fazenda America, dos suores noturnos, do terror estancado em seu coração. O turco tentava mudar de assunto.
- Como está o Coronel?
Mas quem disse que adiantava? A mulher sempre arrumava um jeito de voltar ao ataque. Usava técnicas de baixeza inomináveis. Chegou até a preparar um prato de caldeirada (inegável afrodisíaco), ainda caprichado na pimenta , só para Saddam não ter como recusar o agrado.
Orientado pela negra Binladina, o dono da armarinho resolveu a fazer um despacho para São Koffi, na tentativa de se livrar da fazendeira e da perspectiva de ser atravessado por uma Arma de Destruição Massiva. Até invadir o turco fez, para ver se passava por louco e espantava a insistente. Mas ela tinha o corpo fechado para despacho e aberto para teimosia. Num dia de calor retado, Condoleeza entrou no armarinho com a desculpa de comprar petróleo. Saddam não tinha petróleo a venda. Nem como resistir à coxa de Condoleeza exposta daquela forma mortífera. Danou-se.
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