Em elogiosa carta dirigida a Eça de Queiroz, pelo seu amigo Antero de Quental, sobre o Crime do Padre Amaro, algures na década de setenta (do século dezanove, claro), pode lêr-se:
"Quanto ao artístico, V. não precisa q. eu lho indique. É um artísta consciente, sabe mto. bem o que faz. O seu estilo, à parte alguma incorrecção e uma certa pobreza de vocabulário (V. nunca quis ler os clássicos!) é admirável."
e esta, hem?!
..."é V., entre nós, o único q. nunca é banal. Nos seus períodos não há nunca uma palavra para encher, para arredondar, mandada pôr ali pelo ouvido e não pela imaginação. Ali, cada palavra está porq. deve estar: pinta, descreve, explica. É isso o ideal do estilo. O seu é vivo, tem, deixe-me assim dizer, o magnetismo da vida, empoigne."
e já agora:
"Já leu a História de Portugal do Oliveira Martins? Leia. É o que se chama uma revelação. Eu cá, depois de a ler, concluí q. até aquele momento não fazia ideia nenhuma da história desta terra. Olhe que é gráfica e pitoresca. O homem, meu caro Queiroz, é a única coisa realmente a valer q. aqui temos.
Adeus do C.
Antero de Q."