segunda-feira, fevereiro 9

os cinco e a ciganita

O primeiro livro que li, sem ajuda materna, foi provavelmente Os Cinco e a Ciganita. Depois desse, mais seis ou sete aventuras dos quatro amigos e seu cão, foram devoradas entre o deitar e o adormecer. Chegou então a fase de já ser grande demais para ler Os Cinco, e demasiado puto para ler os livros que os pais liam. Por causa da escola, ainda tentei ler Os Maias e as Viagens na Minha Terra, ou os Diários de Miguel Torga, mas sem grande sucesso. Foi a fase das Aventuras Fantásticas, que incluíam desenhar mapas, lançar dados, lutar contra monstros terríveis, saltar de umas páginas para outras, adquirir poções, espadas e vidas. Até que um dia pedi, pai, escolhe-me um livro. Ele foi a uma estante cheia de alto a baixo, exemplares de todas as cores e feitios. Sem hesitar retirou um, cor laranja, nem muito grosso nem muito fino. Peguei-lhe, fui para o quarto e, sem saber, comecei a descobrir o mundo. O Plano Infinito e a Isabel Allende, são os meus padrinhos de letras.

Um deste dias, por minha causa, uma amiga leu o livro. Perguntei-lhe ansiosamente, então que tal, ao que ela respondeu, sendo simpática, é engraçado. Agora uma dúvida existencial me assombra. Reler o livro, arriscando o desmoronar da minha doce e vã memoria, ou agarrar-me à lembrança como uma criança se abraça à sua manta?