«Autora de 17 livros, traduzidos em mais de 30 línguas, Sontag foi distinguida com alguns dos mais cobiçados galardões literários, como o National Book Award, que lhe foi atribuído em 2000 pelo romance histórico "Na América", o Prémio Príncipe das Astúrias das Letras (Espanha, 2003) ou o Prémio Jerusalém da Literatura (o mais prestigiado de Israel para escritores estrangeiros, em 2001).
De destaque também o aclamado ensaio sobre a estética homossexual "Notes on Camp" (1964), que a lançou como promissora jovem escritora, o romance "Sob o Signo de Saturno" (1972) ou o "best-seller" "O Amante do Vulcão" (1992).
Conhecida pelos múltiplos interesses, do jornalismo à filosofia, do cinema à fotografia, Sontag destacou-se como uma das vozes mais irrequietas entre os intelectuais da América, onde se tornou famosa pela sua prosa provocadora e por declarações polémicas.
Eterna activista dos direitos humanos e feminista convicta, Sontag era conhecida pela sua capacidade de conversar horas sobre os temas mais variados, o que a levou um dia a lamentar que as televisões a olhassem como "uma máquina de opinião", cita a edição online do diário espanhol "El Mundo".
Em 2001, desencadeou uma onda de protestos quando afirmou que os atentados de 11 de Setembro não tinha sido o "ataque cobarde" à civilização de que todos falavam, mas uma consequência nefasta das acções e da política de alianças das sucessivas administrações norte-americanas. Em 2003 voltou a insurgir-se contra a guerra desencadeada pelo Presidente George W. Bush no Iraque, confirmando a alcunha de "a mais europeia dos intelectuais americanos".
- Uma vida em defesa da paz e da liberdade de expressão -
Filha de uma família judía, Sontag nasceu em 1933 em Nova Iorque, a sua cidade de sempre, mas passaria a infância e adolescência entre o Arizona e Los Angeles, antes de ingressar na Universidade de Chicago, passando depois pelas universidades de Harvard e Oxford.
Em 1968, é enviada como correspondente para o Vietname, um conflito que a marcará profundamente e que reforçará a suas convicções pacifistas.
Vinte e cinco anos depois volta a um cenário de guerra, desta vez na Bósnia Herzegovina para alertar o mundo da escalada de horror vivida na Jugoslávia em derrocada. Com Sarajevo debaixo de um sangrento cerco, Sontag desloca-se à cidade, onde dá aulas de arte dramática e encena juntamente com outros intelectuais a peça "À Espera de Godot", de Samuel Beckett.
Entre 1987 e 1989, presidiu ao Centro Americano PEN, uma organização internacional de escritores dedicada à defesa da liberdade de expressão, através da qual liderou numerosas campanhas a favor da libertação de escritores perseguidos ou detidos em vários pontos do globo.»
in http://ultimahora.publico.pt/shownews.asp?id=1211859&idCanal=14